Paciente 807 e suas maldições - Guilherme Campos Cardoso - E-Book

Paciente 807 e suas maldições E-Book

Guilherme Campos Cardoso

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Sempre penso que meu cotidiano pobre será a minha vida inteira, agindo e vivendo da mesma forma, muitos dias pensando, principalmente nas madrugadas, quando minha cabeça está atolada de pensamentos de que não existe uma cura. Sempre consigo esperanças por algumas horas, mas por algumas ações e palavras, ela se vai como o vento. 

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GUILHERME CAMPOS CARDOSO

Paciente 807 e suas maldições

FLORIANÓPOLIS, 2021 - 1º EDIÇÃO

Cardoso, Guilherme Campos

Paciente 807 e suas maldições / Guilherme Campos Cardoso. -- 1. ed. -- Florianópolis, SC : Editora Autores do Brasil, 2021.

ISBN 978-65-88927-19-9

1. Ficção policial e de mistério (Literatura brasileira) I. Título.

21-58148CDD-869.93

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil). Índices para catálogo sistemático:

1. Ficção policial e de mistério : Literatura brasileira 869.93 Cibele Maria Dias - Bibliotecária - CRB-8/9427

ISBN 978-65-88927-19-9

Editora Autores do Brasil

www.autoresdobrasil.com

Mail: [email protected]

Índice de contenido
Portada
Créditos
Índice
Capítulo 1 Contando os dias
Capítulo 2 Início de um pesadelo
Capítulo 3 Memórias passadas
Capítulo 4 Novo colega de quarto
Capítulo 5 Investigando mais a fundo
Capítulo 6 Confiança
Capítulo 7 Dúvidas
Capítulo 8 Novo rumo
Capítulo 9 Taxidermia
Capítulo 10 Cidade de pesadelos
Capítulo 11 Escola
Capítulo 12 Tortura
Capítulo 13 Perdido na névoa
Capítulo 14 Culto do sangue
Capítulo 15 Cidade de Ouro
Capítulo 16 Casa estranha
Capítulo 17 Tentando ajudar
Capítulo 18 Chegando no Hospital
Capítulo 19 Sacrifício
Capítulo 20 Tentativa de fuga
Capítulo 21 Reencontro

A todos que me acompanharam nesse momento de minha vida, em especial a meu avô,

Ariosto Carvalho Campos e Mirtha Girardi.

CAPÍTULO 1

Contando os dias

Sempre penso que meu cotidiano pobre será a minha vida inteira, agindo e vivendo da mesma forma, muitos dias pensando, principalmente nas madrugadas, quando minha cabeça está atolada de pensamentos de que não existe uma cura. Sempre consigo esperanças por algumas horas, mas por algumas ações e palavras, ela se vai como o vento. 

Certo dia, minha cabeça falou para mim: tudo que você fazer não irá ter resultado nenhum, sua vida será assim até o dia de sua morte, então vá e acabe com ela logo. Com isso pensei em acabar com tudo, pensei que a bebida iria ajudar a me dar coragem para fazer tal ato, mas o resultado foi só um desmaio de tanto beber. Como minha cabeça falava, nem isso eu conseguia fazer.

Depois de tantas explosões com minha família e eu não sendo o único errado naquela situação, esta família, que nem considero família, por tal ato covarde e injusto me internou, mas me enganando que seria uma sessão para ver se eu melhorava. E claro, eu ali vi, para os meus padrões, o inferno na terra, pessoas gritando sem um motivo sequer e troca de drogas, e claro, sem faltar um assassino no mesmo ambiente.

Você percebe que está no lugar errado quando nenhuma das pessoas sabe as regras básicas de educação e higiene. O primeiro dia aqui foi um desespero, estava o tempo inteiro falando com as enfermeiras e os médicos que tudo aquilo era um engano, mas é claro que eles me trataram como um paciente maluco e me ignoraram, mas o pior era o porteiro que não deixava ninguém sair. Assim passei minha primeira noite.

No segundo dia, acordei aos tapas e empurros para ir tomar o remédio. Me levantei e vi aquela fila que eu não deveria fazer parte, mas tive que seguir as regras. Tomei coragem e fui ver o banheiro, e acredite, não quero descrever como ele era. Aí pensei, estou com animais mesmo, não sabem nem usar um banheiro direito. 

Pouco mais tarde chegou a hora do almoço, fui e peguei uma bandeja com o recipiente dentro, decidi comer muito pouco para não precisar usar o banheiro tão cedo. Perto da tarde fui perguntar se meu médico iria aparecer à tarde para fazer a minha avaliação e, por sorte, ele apareceu, contudo foi como conversar com uma pedra. Eu conversava e nenhum resultado para me tirar de lá, ele aparentemente sendo totalmente parcial com a minha família e me mantendo lá. Quando o médico foi embora, e eu implorando para sair daquele lugar, percebi que não iria sair tão cedo dessa situação. E ele se foi. Esperanças perdidas.

Já no terceiro dia estava ficando totalmente desesperado, estava pensando o tempo inteiro quanto tempo iria ficar. Assim com esses pensamentos, fiquei perguntando outra vez para todas as pessoas que trabalhavam lá quando meu médico iria chegar, mas cada um falava uma coisa, cada um trabalhava como queria, nunca vi pessoas tão fora do compromisso de seu trabalho, simplesmente achando que estão uma escala maior que todos os pacientes. Aquilo me deixava maluco, eu ficava sentado na minha cama olhando para a janela, pensando de como era bom ter a liberdade que eu não sabia que tinha. Só acabamos dando liberdade para aquilo que perdemos mesmo, e claro, durante aquela tarde, o médico não apareceu, e mais esperanças acabadas.

Quarto dia, acordei com uma tontura que nuca senti na minha vida, mas isso porque eu não estava comendo praticamente nada para não ter que usar o banheiro imundo daquele hospital. Pensando melhor, comecei a comer pequenas porções para não passar mal, até tinha um horário que eles verificavam como o paciente estava e fiquei durante um dia com 39 graus de febre. Para melhorar, o dia o médico resolveu aparecer no dia. A conversa foi praticamente a mesma, ele preferia ver o lado da minha família primeiro ao ter que me tirar do hospital, com isso a esperança era um sentimento que eu não tinha mais. O pior momento era ter que olhar o tempo passar naquele maldito relógio e ficar sentado na cama olhando para a rua. 

Entretanto, no meio do nada, uma pessoa totalmente estranha, querendo fazer amizade comigo, eu acho, começou a falar o motivo de ele estar lá, e acredite não foi uma historia muito boa de se ouvir. Os detalhes eram que a mãe dele trabalhava com fetiches de homens que queriam ser dominados, e que ela começava a trazer isso para casa também, e com isso, sem nenhum desfecho com sentido, ela botou ele aqui. Ele tinha mais historias, como ele acordar em motel acorrentado com dois homens botando seus pênis na boca dele. Achei muito desnecessário ele ter me contado tais historias para mim, já que não poderia fazer nada para ajudar, nem ao menos querer ser amigo dele. E com isso o quarto dia acabou.

No quinto dia acordei sentindo o clima mais pesado, como se um saco de cimento estivesse em minhas costas, e a primeira coisa que fui fazer, é claro, foi me ver no espelho do banheiro. 

Tudo mudou depois daquele evento, pois o espelho se rachou e vi meu rosto todo deformado durante alguns segundos, e o clima do lugar me pareceu ficar em um tom avermelhado de sangue, como um inferno, e me senti muito mal. Estava quase na hora de tomar os remédios, mas estranhamente uma garota internada chegou perto de mim e falou:

–Não tome os remédios, eles escondem a verdade.

E ela simplesmente saiu. Com o acontecido, quando chegou minha vez de tomar a medicação, eu tentei ser bastante convincente para fingir que havia tomado tudo. Depois segui minha rotina, mas minha visão começou a mudar junto com aquela visão do inferno que eu tinha, tudo parecia ficar mais distorcido, e então tentei procurar a garota. Depois de umas boas voltas pelo hospital psiquiátrico, que estava mais para um sanatório do inferno, acabei achando a garota misteriosa. Ela estava no pátio do hospital sentada em um banco, em um lugar bem calmo, com isso fui chegando perto para ir falar com ela calmamente.

–Olá, tudo bem?

Falei com um tom amigável para ela. E então ela respondeu:

–Estou bem, você fez o que eu falei? Não tomou os remédios?

Então eu respondi: 

–Sim, não tomei os remédios, mas com a falta deles eles me fizeram um efeito colateral, uma visão, como se eu enxergasse tudo diferente, eu não sei explicar bem, mas tudo mudou. Realmente difícil de explicar, você poderia me dizer o que está acontecendo comigo? Estou muito preocupado.

–Você simplesmente agora está enxergando a verdade, o real. A medicação esconde isso, é isso que eles querem fazer, fazer você não ver a realidade.

Com espanto que tive, respondi:

–Sabia que tinha algo suspeito aqui, de manhã já tive uma visão quando fui me olhar no espelho e agora não tomando a medicação! Tudo mudou, mas tenho que ir indo agora e obrigado pela informação da medicação.

Então sai de lá com uma visão de que esse lugar não era um lugar comum e sim algum tipo de portal para o inferno, e que eu teria que sair o mais rápido possível, mas que seria impossível com aquele porteiro o tempo todo na porta.

Chegando no meu quarto com o número 807, fui dormir para ver se o tempo passava um pouco mais rápido, mas acabei adormecendo até o dia seguinte. Realmente eu estava muito cansado e exausto, mas não imaginava que iria apagar daquele jeito.

Com tudo acontecendo, eu acordei e levantei, fui direto para o banheiro e fui me ver no espelho do banheiro novamente para ver se não olhava algo inusitado outra vez. Quando cheguei puxei um pouco os meus olhos para ver como eles estavam, e para minha surpresa, estavam totalmente vermelhos. Eu não sentia nenhuma dor, mas fiquei assustado depois de ver esse evento. Logo fui passear no corredor e vi cada um dos pacientes e vi a verdade em cada um, mas como assim? O que tinha matado a esposa estava com um sorriso de um psicopata na cara, isso ele não conseguia esconder de mim e a sombra dele o mostrava matando alguma pessoa aleatória: isso era a verdade que a garota havia falado, agora estava enxergando.

Fui até um dos enfermeiros para ver o que eu enxergava nele, e por espanto eu vi uma figura com uma roupa rasgada e com o rosto todo macabro. Eu não sei como descrever ele, com toda certeza era muito aterrorizante. Depois de um tempo chegou a hora da medicação, e claro, eu não tomei nenhuma delas, e me deu uma tontura e outra visão como se a verdade estivesse mais nítida. Eu comecei a ver as paredes todas descascadas e com escritas macabras, mas nada era legível e todo o lugar parecia devastado como uma cena de massacre por um maluco com uma arma em uma escola.

Fui passeando pelo inferno, que é como chamarei agora, e todo o lugar ficou totalmente diferente. Caminhei para o pátio e a grama parecia pequenas labaredas do próprio inferno, mas lá em um banco estava a garota, e fui conversar com ela para descobrir o seu nome. Com isso fui chegando como se já fosse amigo dela e disse:

–Olá, conversamos no outro dia e agora estou enxergando tudo com mais clareza, tudo parece infectado. 

–É claro, você está enxergando o real do hospital, quanto mais tempo sem a medicação, com mais clareza você enxerga o lugar, e quanto mais tempo sem os remédios, com mais clareza você irá ver o hospital, mas agora tenho que ir. 

E com isso ela foi embora para a área dela e eu fui voltar para o meu quarto tentar dormir no meu pequeno pedaço de inferno, e claro torcendo para pegar no sono pesado.

Chegando em meu quarto vi minha cama e me deitei com todo o peso que carregava deste lugar, o tempo passava, mas não conseguia dormir, a insônia parecia que havia escolhido fazer efeito naquela noite. Então decidi dar um pequeno passeio noturno no inferno, mesmo sendo proibido, mas a tentação era grande. Fiquei me perguntando por que não perguntei o nome da garota no meio de nossas pequenas conversas, pois a curiosidade fica à tona, mas em nossas próximas conversas vou perguntar o nome dela, pensava, mas agora quero sair um pouco do meu quarto.

Saindo do meu quarto percebi que a noite tudo parecia mais macabro, muito mais que durante o dia, mas tinha que tomar cuidado e decorar a patrulha dos enfermeiros da noite para eu poder aproveitar a grande noite. Vi que o balcão onde ficava tudo reservado para os enfermeiros como comida e agua e bebidas em geral mesmo, não podendo ter bebida aqui, estava sem patrulha, então decidi dar uma xeretada, e consegui ver um monte de iguarias bem melhores do que o lixo que eles servem para a gente. Então decidi me servir um pouco com uns sanduiches e um pouco de vinho, pois já era maior de idade então podia beber. Depois de um tempo eu cai fora do lugar onde ficavam as comidas e fui voltar para meu quarto para ver se com álcool e de barriga cheia conseguia dormir, e chegando em minha cama, claro, dei um apagão.

No dia seguinte, que já me perdi quantos dias passei nesse inferno, estava na hora de ir tomar os remédios, e claro, não tomei nada, com isso me deu o mesmo efeito de tontura, e na mesma hora eu vi o homem com a mãe que trabalhava com fetiches e vi ele vestido com roupas de couro, como aquelas que casais usam quando a relação está muito parada. Eu consegui ver uns de seus piores pesadelos, realmente não tomar esse remédio me fazia ver a verdade e os medos das pessoas, logo em diante vi um velho que não parava de gritar, mas de surpresa ele me agarrou e minha mente se foi para outro lugar. Eu tive uma visão dele mais jovem, tudo parecia ser uma casa ele e tudo indicava ser sua esposa junto com ele, mas ele estava de joelhos e a esposa estava enforcada em um nó muito preciso para quem gostaria de um suicídio assim, com tudo isso visto minha mente voltou para o inferno. Consegui descobrir o porquê dos gritos de agonia do pobre velho, sua esposa tinha se suicidado.

Com a falta da medicação conseguia ver coisas que não queria ver, mas que talvez precisava, e achava estranho que não conseguia ver o pesadelo e a verdade da garota, será que é porque ela também não tomava os remédios? Tudo era um grande mistério, com o dia passando fui olhar o relógio e ele estava girando extremamente rápido, para não me situar em tempo que eu estava aqui. 

Este lugar está fazendo de tudo para me ferrar. Não sei quanto tempo irei aguentar mais, pois perdi totalmente a noção do tempo aqui.

E então em meu quarto e esperei que um pouco daquele dia passara. Mas o dia não passava de jeito nenhum, e não tinha nada neste lugar para eu me distrair um pouco, então para passar um pouco do tempo, decidi contar as horas mesmo, sei que parece estranho, mas era o que tinha de opção naquela hora, mas mesmo assim o tempo não passava.

Nada fácil por aqui, mas acho que estou dando conta por enquanto, mas tenho que ver por quanto tempo aguentarei, essa será a pergunta eterna que me farei.

Capítulo 2 

Início de um pesadelo

Hoje acordei com uma sensação estranha e então decidi sair do meu quarto para ver se não havia nada de estranho acontecendo, mas de surpresa, um dos pacientes tentou fugir e a figura gigante do porteiro pegou a inocente pessoa e quebrou o pescoço dela, foi a primeira vez que vi alguém sendo morto em minha frente, e aquilo foi extremamente chocante.

Depois de alguns minutos fui ver a figura do porteiro e ela estava totalmente diferente, ela estava com mais de dois metros de altura e vestido com um terno preto e com jogo de chaves na mão como soqueira. Uma figura extremamente assustadora, que na hora que matou o paciente disse o nome da pessoa e seus motivos para estar ali, como se ele tivesse uma ficha de cada um de nós. Mas decidi me afastar dele e ir até o pátio ver se a garota misteriosa ainda estava lá.

Alguns passos e passeios pelo inferno, cheguei até o pátio e vi a garota sentada no mesmo banco de sempre e então decidi perguntar o nome dela.

–Olá, outra vez, você viu o que aconteceu com um dos internados?

–Eu soube o que aconteceu com ele, o porteiro é uma figura má, não devemos ficar perto dele.

E com minha curiosidade perguntei o nome dela.

–E depois de algumas conversas nossa, nós não nos apresentamos, sou Dexter, e você?

–Não gosto de falar meu nome, mas você parece ser confiável, sou Beth.

–E Beth, você enxerga o mesmo que eu no hospital, isso eu percebi, mas você sabe como sair daqui? 

–Infelizmente não, mas suspeito que seja pegando as chaves do porteiro, mas é muito arriscado. 

–Realmente depois do que vi que ele fez com o coitado do paciente não quero chegar perto dele por enquanto, mas agora tenho que ir na minha ala, te vejo depois Beth.

–Até depois, amigo.

Com isso fui caminhado até minha ala e indo até meu quarto para passar o tempo, mas todo o lugar parecia estar mais macabro do que antes, e olha que isso era um feito difícil de se fazer.

Bom, pelo menos o ponto alto do meu dia foi descobrir o nome da garota, que se chama Beth, então não ia ficar com a curiosidade me corroendo todo, pelo menos isso. E com isso acho que meu dia se encerrou.

• • •

Então acordei e tudo parecia normal, pelo menos nos primeiros minutos, mas comecei a sentir uma horrível dor de cabeça e tonturas, e com a consequência disso, perdi totalmente o controle do meu corpo, sem ter intenções de fazer isso, mas fiz, coloquei meu quarto a baixo, estava destruído, ele não estava reconhecível de tão arruinado que estava. Imediatamente os enfermeiros e enfermeiras apareceram e me seguraram com muita força, e claro, eu tentando me libertar, com tudo isso fui internado em outra ala, em uma ala mais forte, para pessoas com problemas mais fortes.

Com tudo acabado os enfermeiros mais fortes me colocaram em um quarto com porta e me trancaram lá dentro, mas eu estava totalmente fora de controle, minha mente estava muito bagunçada, tinha pequenas visões da figura do porteiro matando a metade dos internados e tudo parecia muito real, de alguma forma tinha certeza que as minhas visões eram reais.

Depois de algumas horas fui solto do quarto forte, e claro, minha mente já tinha se acalmado naquela hora. Fui dar um passeio na ala nova do inferno e ver qual era a realidade do lugar, que era muito parecido com minha ala antiga, os padrões de construção não eram muito diferentes com a exceção de que não havia porteiro, mas sim um zelador.

Comigo foi passando uma figura corcunda, ela parecia meio desnorteada, com isso em meio, quando passamos por perto nossos ombros se encostaram e logo minha cabeça deu um apagão. 

E de repente, estava em uma briga de família, mas uma dessas sérias, e enxerguei uma criança no canto com medo de se meter na briga, mas ninguém da casa me via como se estivesse em outro plano, e então decidi ouvir a conversa.

–Eu não vou cuidar de uma criança retardada, isso não é meu filho!

–Jorge! Pense no que você está falando ele é só uma criança e sim é nosso filho e temos que amar ele de qualquer jeito!

Com isso a criança em desespero fez o que os pais dela ensinaram, ela ligou para a polícia de medo, e com a conversa continuando, o pai pegou uma arma e soltou suas últimas palavras.

–Não vou ter uma família quebrada dessas! 

E atirou na mãe e mirou no filho, mas na hora apareceu a polícia, que pulou em cima dele e o levou para a cadeia. E claro, o que iria acontecer com a criança? Os pais adotivos querem uma criança sem nenhum tipo de doença, então minha visão acabou.

Vi o que deixaria qualquer criança inocente traumatizada e foi o que aconteceu com essa pessoa, realmente essa área possuía coisas mais pesadas do que a outra. Mas estava chegando a hora da medicação e foi se formando a fila, e claro, quando chegou minha vez, só fingi que tomava meus remédios.

Com o dia totalmente cansativo e perturbado escolhi me deitar e tentar pegar no sono nessa nova ala para já tentar ir me acostumando por aqui. Aquela visão talvez me deu pesadelos durante a noite, mas torci para ter pelo menos uma noite decente aqui. E assim meu dia acabou. 

Ainda durante a noite estava sem sono, parece que a insônia me atacou outra vez, então decidi ir até o banheiro para lavar o rosto. Estranhamente, enquanto estava caminhando, não havia ninguém na minha ala, absolutamente ninguém, mas pensei coisas estranhas acontecem aqui o tempo todo, deve ter algum motivo para terem tirado os pacientes daqui. Com isso continuo meu caminho até o banheiro, chegando nele, me olho no espelho, me certifico se não há nada de estranho em meu rosto, o padrão, mas de surpresa, uma figura com mais de dois metros com um rolo de chaves na mão como soqueira estava atrás de mim e disse:

–Eu sei o que você anda fazendo por aqui Dexter.

Depois de suas palavras ele tentou desferir um golpe em mim, mas por sorte consegui desviar. A primeira coisa que fiz foi correr o máximo possível do porteiro, peguei o caminho até o balcão de remédios e pulei para a área da cozinha e me escondi atrás de uns armários metálicos. Com isso o porteiro foi indo com uma postura confiante, e chegou até a cozinha falando as seguintes palavras:

–Não adianta se esconder de seu destino, mais cedo ou mais tarde você sabe o que vai acontecer.

Com isso fui me esgueirando entre os armários para ele não me ver, mas, puta merda, consegui bater em uma garrafa e ela acabou caindo no chão e quebrando! Com isso o porteiro saiu correndo atrás de mim, meu primeiro instinto foi correr até o banheiro e fechar a porta. Com a corrida mais rápida que dei em minha vida, consegui chegar no banheiro a tempo de fechar a porta, mas havia um pequeno detalhe, não tinha como trancar a porta. Com isso, olhei no espelho e o espelho deu uma trincada e surgiu uma pequena faísca de luz que me levou de volta para meu quarto.