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El Des-encuentro de dos Mundos E-Book

Simone Accorsi

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Beschreibung

"La autora coincide con la opinión del historiador Serge Gruzinsky, quien afirma que las contradicciones de la empresa colonial obstaculizaron los proyectos de implantación del modelo colonial, posibilitando a los indígenas una libertad de acción y reacción que, aunque restringida a la esfera privada y religiosa, consiguió imponerse como punto importante de resistencia." Rachel Soihet

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Seitenzahl: 196

Veröffentlichungsjahr: 2013

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Universidad del Valle

Programa Editorial

Título: El Des-encuentro de dos Mundos:

Género y Complementariedad en los Andes

Autor: Simone Accorsi

ISBN: 978-958-765-086-0

ISBN PDF: 978-958-765-586-5

ISBN EPUB: 978-958-765-587-2

DOI: 10.25100/peu.75

Colección: Artes y Humanidades - Literatura

Primera Edición Impresa       diciembre 2013

Edición Digital                          febrero 2018

Rector de la Universidad del Valle: Édgar Varela Barrios

Vicerrector de Investigaciones: Jaime R. Cantera Kintz

Director del Programa Editorial: Francisco Ramírez Potes

© Universidad del Valle

© Simone Accorsi

Diagramación: Unidad de Artes Gráficas.

Este libro, o parte de él, no puede ser reproducido por ningún medio sin autorización escrita de la Universidad del Valle.

El contenido de esta obra corresponde al derecho de expresión del autor y no compromete el pensamiento institucional de la Universidad del Valle, ni genera responsabilidad frente a terceros. El autor es el responsable del respeto a los derechos de autor y del material contenido en la publicación (fotografías, ilustraciones, tablas, etc.), razón por la cual la Universidad no puede asumir ninguna responsabilidad en caso de omisiones o errores.

Cali, Colombia, febrero de 2018

Diseño epub:Hipertexto – Netizen Digital Solutions

Contenido

Presentación

Prólogo

Los cuatro cantos del mundo

Homo Sapiens u Homo Religiosus

El Tawantinsuyo: un cosmos unido

El Culto de los muertos en el Tawantinsuyo

Caminando tras la huella del Inca

Espacio y tiempo en la mitología antigua

La edad del Taypi

La edad Puruma

La edad de awqa, Pacha Kuti

Los elementos naturales en el Tawantinsuyo

El Metalenguaje de la Conquista: La retórica cristiana y la mutilación de la voz indígena

Guacas y mallkis en la hoguera

Causas de las campañas de extirpación

Primer ciclo: 1600-1620

Segundo ciclo: 1645-1680

Tercer ciclo: 1720-1730

Cofradías – la opción para el mantenimiento de las tradiciones indígenas.

La cabeza de Inkarri: mito y profecía en los Andes

1. Los mitos viven

2. Como se extinguió Cuniraya Viracocha

3. Mito de Inkarri (I)

4. Mito de Inkarri (II)

5. Mito de Inkarri (III)

6. Mito de Inkarri (IV)

7. Mito de Inkarri (V)

Viejos pueblos: memoria viva

1- Mangas: del Taqui Sagrado al Masha profano

2- La comparsa Inca-Capitán: la moderna tragedia de Atahualpa

3- A Título de Conclusión

Notas al pie

La autora coincide con la opinión del historiador Serge Gruzinsky, quien afirma que las contradicciones de la empresa colonial obstaculizaron los proyectos de implantación del modelo colonial, posibilitando a los indígenas una libertad de acción y reacción que, aunque restringida a la esfera privada y religiosa, consiguió imponerse como punto importante de resistencia.

Rachel Soihet

PRESENTACIÓN

Prof. Dra. Rachel Soihet

Profesora del Programa de Posgrados en HistoriaUniversidade Federal Fluminense (UFF)- Rio de JaneiroInvestigadora del CNPq- Brasil

A partir de um sólido referencial teórico e rica historiografia, a profª Simone Accorsi desenvolve uma reflexão acerca da presença da cultura andina pré-colombiana em populações que habitam áreas constitutivas do antigo Incário, ou seja, do norte da Argentina até o Sul da Colômbia, território então designado como Tawantinsuyo.

A obra constitui-se de quatro partes, talvez, metaforizando a divisão do Incario em quatro territórios, tendo Cuzco como centro –ombligo del mundo. Na primeira, “Los Cuatro Cantos Del Mundo”, com base no poema anônimo, recolhido da tradição oral, Apu Inka Atawallpaman realiza a autora uma belíssima análise acerca do desnorteamento do povo quíchua, ante a perda de seu líder, o Inca Atahualpa. Através dela nos deparamos com a riqueza do universo simbólico daquelas populações, em que a vida se apresentava como um cosmos unido, “donde los vivos, los muertos y la naturaleza comparten un mismo espacio y tiempo en el que lo sagrado y lo profano se funden”. Conclui a autora que o poema constitui-se em um exemplo claro de como os elementos naturais, que ela analisa detidamente, estão intimamente relacionados com a própria representação do papel e natureza do Inca como filho do Sol, controlador não só das relações de produção da sociedade, como também daquelas da natureza. E é essa capacidade atribuída ao Inca de preservar o equilíbrio cósmico, assim como a de propiciar a prosperidade do povo, o que faz com que o desaparecimento do Inca leve ao caos.

Na segunda parte, “El Metalenguaje de La Conquista: La Retórica Cristiana y La Mutilación de La Voz Indígena”, busca a autora examinar os aspectos retóricos do discurso de dominação e a sua utilização como um “discurso de resistência” por parte dos indígenas. Para analisar o aspecto retórico do momento do encontro entre espanhóis e indígenas, que acredita melhor caracterizado como um “desencontro” escolheu três escritores nativos dos Andes, três versões de um mesmo momento histórico do ponto de vista do outro, do vencido. São elas, a Ynstrución de Titu Cussi Yupanqui (1570), Primer Nueva Coronica y Buen Gobierno de Felipe Guamán Poma de Ayala (1615) e Comentarios Reales de los Incas de Garcilaso de La Vega ( 1609 y 1617). Conforme esclarece, seu trabalho residiu em buscar nessas fontes, o que acredita, como os signos evidentes de que ao “terror na consciência” os indígenas responderam com uma resistência cosmológica. Assim, apesar do silêncio linguístico imposto, sobreviveram as crenças mágico-religiosas, o que a faz chegar à conclusão de que não houve conquista efetivamente.

Comunga da opinião do importante historiador Serge Guzinski, o qual afirma que as contradições da empresa colonial obstaculizaram os projetos de implantação do modelo colonial possibilitando aos indígenas uma liberdade de ação e reação que apesar restrita à esfera privada e religiosa conseguiu-se impor como ponto importante de resistência.

“La Cabeza de Inkarrí - Mito y Profecia em Los Andes”, nessa que é a terceira parte da obra, trata a profª Simone desse mito, acentuando que Inkarrí constitui-se em uma contração da palavra quíchua “Inka” com a palavra espanhola “Rei”, correspondendo à fusão mítica dos Incas, acerca da execução de Atahualpa. Sua morte se deu, através de estrangulamento, em 1533, mas passou a ser difundida como tendo sido através de decapitação, pois esta apresentava possibilidades mitológicas mais ricas e, assim, a história foi modificada, a fim de se elaborar a metáfora da esperança messiânica. Esta consiste na crença de que da cabeça do Inca está crescendo um corpo sobre a terra. E, quando seu corpo estiver completo, o Inca regressará para inaugurar tempos melhores.

Finalmente, a quarta parte “Viejos Pueblos: Memoria Viva” trata da vida e das festas que contam a história da conquista no território, anteriormente, chamado Tawantinsuyo pelos Incas. Acentua a autora que nestas festas, realizadas anualmente, o Inca nunca morre, o que demonstra que o mito do Inkarrí segue vigente, ou seja, os novos quíchuas seguem à espera do retorno do Inca. Nessa parte são apresentadas as diversas festas, demonstrativas da resistência dessas populações, lembrando que a resistência não se apresenta necessariamente de forma violenta, através de motins e outros confrontos. Pequenos furtos, utilizações jocosas de signos do poder, cartas anônimas, canções, inversões, irreverências, representações teatrais são exemplos das formas simbólicas nas quais se apresentam a resistência.

Finalmente, conclui que a festa se constitui no cenário privilegiado para a observação desses pressupostos, onde a dialética dominação/resistência marca a sua presença possibilitando alcançar a essência de significados muitas vezes inacessíveis por outros caminhos. Acentua a profª Simone que a celebração mítica, através das danças rituais, da festa e a transmissão de valores, através da tradição oral foram os caminhos encontrados para o fortalecimento, recuperação e manutenção do mundo andino.

Cabe ressaltar a originalidade e importância dessa abordagem que se constitui em contribuição das mais destacadas para os estudos do mundo andino, cujo impacto sobre estes deve ser dos mais significativos, seja nos âmbitos acadêmico, social, político e científico.

A partir de un sólido referencial teórico y rica historiografía, la profesora Simone Accorsi desarrolla una reflexión sobre la presencia de la cultura andina precolombina en poblaciones que habitan áreas constitutivas del antiguo Incario, es decir, del norte de Argentina al sur de Colombia, territorio entonces designado como Tawantinsuyo.

La obra está constituida de cuatro partes, tal vez, metaforizando la división del Incario en cuatro territorios, teniendo al Cuzco como centro –ombligo del mundo. En la primera parte, –Los Cuatro Cantos del Mundo–, y con base en el poema anónimo recogido por la tradición oral, la autora formula un bellísimo análisis acerca de la desorientación del pueblo quechua derivado de la pérdida de su líder, el Inca Atahualpa. A través de él, nos encontramos con la riqueza del universo simbólico de esas poblaciones, donde la vida era presentada como un cosmos unido “donde los vivos, los muertos y la naturaleza comparten un mismo espacio y tiempo en el que lo sagrado y lo profano se funden”. Concluye la autora que el poema se constituye en un ejemplo claro de cómo los elementos naturales, que ella analiza detenidamente, están íntimamente relacionados con la propia representación del papel y naturaleza del Inca como hijo del Sol, controlador no sólo de las relaciones de producción de la sociedad, sino además de las de la naturaleza. Y es esa capacidad atribuida al Inca de preservar el equilibrio cósmico, así como la de propiciar la prosperidad del pueblo, lo que hace que la desaparición del Inca conlleve al caos.

En la segunda parte, “El Metalenguaje de La Conquista: La Retórica Cristiana y La Mutilación de La Voz Indígena”, busca la autora examinar los aspectos retóricos del discurso de dominación y su utilización como un “discurso de resistencia” por parte de los indígenas. Para analizar el aspecto retórico del momento del encuentro entre españoles e indígenas, que ella encuentra mejor caracterizado como un “desencuentro”, la autora escogió tres escritores nativos de los Andes: tres versiones de un mismo momento histórico desde el punto de vista del otro, del vencido. Son ellas, la Ynstrución de Titu Cussi Yupanqui (1570), Primer Nueva Coronica y Buen Gobierno de Felipe Guamán Poma de Ayala (1615) y Comentarios Reales de los Incas de Garcilaso de la Vega (1609 y 1617). Conforme explica la autora, su trabajo residió en buscar en esas fuentes lo que ella encuentra como signos evidentes de que, al “terror en la consciencia”, los indígenas respondieron con una resistencia cosmológica. Así, a pesar del silencio lingüístico impuesto, sobrevivieron las creencias mágico-religiosas, lo que hace llegar a la conclusión de que no hubo conquista efectivamente.

Coincide la autora con la opinión del importante historiador Serge Gruzinsky, que afirma que las contradicciones de la empresa colonial obstaculizaron los proyectos de implantación del modelo colonial, posibilitando a los indígenas una libertad de acción y reacción que, aunque restringida a la esfera privada y religiosa, consiguió imponerse como punto importante de resistencia.

En “La Cabeza de Inkarrí - Mito y Profecía en Los Andes”, la tercera parte de la obra, la profesora Simone trata ese mito, acentuando que Inkarrí se constituye en una contracción de la palabra quechua “Inka” con la palabra española “Rey”, correspondiendo a la fusión mítica de los incas acerca de la ejecución de Atahualpa. Su muerte se dio por estrangulamiento en 1533, pero fue difundida como por decapitación pues ésta presentaba posibilidades mitológicas más ricas, siendo así la historia modificada a fin de elaborarse la metáfora de la esperanza mesiánica. Ésta consiste en la creencia de que de la cabeza del Inca está creciendo un cuerpo sobre la tierra, que, cuando estuviere completo, marcará el regreso del Inca para inaugurar tiempos mejores.

Finalmente, la cuarta parte, “Viejos Pueblos: Memoria Viva” trata de la vida y de las fiestas que cuentan la historia de la conquista en el territorio otrora llamado Tawantinsuyo por los incas. Señala la autora que en estas fiestas realizadas anualmente el Inca nunca muere, lo que demuestra que el mito del Inkarrí sigue vigente, es decir, que los nuevos quechuas siguen a la espera del retorno del Inca, En esta parte son presentadas las diversas fiestas, demostrativas de la resistencia de estas poblaciones, recordando que la resistencia no se presenta necesariamente de forma violenta a través de motines u otras confrontaciones. Pequeños robos, usos jocosos de signos del poder, cartas anónimas, canciones, inversiones, irreverencias, representaciones teatrales, entre otros, son ejemplos de las formas simbólicas en las cuales se presenta la resistencia.

Finalmente, la autora concluye que la fiesta se constituye en el escenario privilegiado para la observación de esos presupuestos, donde la dialéctica dominación / resistencia marca su presencia, posibilitando alcanzar la esencia de significados muchas veces inaccesibles por otros caminos. Acentúa la profesora Simone que la celebración mítica, las danzas rituales, la fiesta, la transmisión de valores y la tradición oral fueron los caminos encontrados para fortalecer, recuperar y mantener el mundo andino.

Cabe resaltar la originalidad e importancia de esta perspectiva que se constituye en contribución de las más destacadas para los estudios del mundo andino, cuyo impacto sobre éstos debe ser de los más significativos en los ámbitos académico, social, político y científico.

PRÓLOGO

 

Prof. Dra. Magali Gouveia Engel

Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)Pro- Cientista del CNPq - Brasil

O projeto de investigação intitulado “El des-encuentro de dos mundos. Género y complementariedad en los Andes” reúne artigos, onde são veiculados os resultados das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas entre 2011 e 2013 por Simone Accorsi, integrante do Grupo de Investigación Género, Literatura y Discurso da Escuela de Estudios Literarios da Facultad de Humanidades da Universidad del Valle.

O primeiro, intitulado Los Cuatro Cantos del Mundo, desenvolve uma análise muito interessante e bem fundamentada sobre o transtorno provocado pela perda do líder Atahualpa (1533) expresso no poema anónimo Apu Inka Atawallpaman.

O segundo artigo, “El metalenguaje de la conquista: la retória cristiana y la mutilación de la voz indígena”, trata dos desdobramentos trágicos e caóticos da morte de Atahualpa no mundo inca, subjugado pelos espanhóis, a partir de uma análise cuidadosa e consistente da Ynstrución de Titu Cussi Yupanqui (1570), da Primer Nueva Coronica y Buen Gobierno de Felipe Guamán Poma de Ayala (1615) e dos Comentarios Reales de los Incas de Garcilaso de la Vega (1609 y 1617). São abordados aspectos fundamentais do impacto provocado pela perda do líder e, sobretudo, pelo processo de aculturação decorrente da dominação espanhola sobre a sociedade Quechua.

Em “La cabeza de Inkarrí: mito y profecía en los Andes”, a autora questiona a maneira como esse “des-encontro” cultural, baseado num projeto ambivalente deculturador- culturador espanhol-cristão, incidiu na cosmovisão mítica original andina, que formas lógicas de pensamento surgiram a partir desse momento, e de que maneira se inscreveram no imaginário coletivo popular como una forma de resistência cultural.

Por fim, o artigo intitulado “Viejos pueblos: memoria viva” refere-se ao cotidiano dos habitantes de Tawantinsuyo – designação dada pelos Incas – e às festas onde são contadas as histórias da conquista daquele território pelos espanhóis.

Trata-se, portanto, de um conjunto de análises profícuas sobre momentos importantes dos profundos impactos do processo da conquista espanhola no mundo inca. Ressalte-se primeiramente a utilização de registros literários como fundamentos das referidas análises. Os artigos revelam uma articulação entre as temáticas e as problemáticas abordadas, bem como consistência na utilização de referências teóricas e metodológicas adequados.

O conteúdo e as problemáticas abordadas possuem grande relevância no âmbito do campo da história cultural e das relações entre história e literatura. Assim, a autora revela um domínio sólido da produção bibliográfica especializada e atualizada sobre as temáticas enfocadas. Com uma linguagem clara, a obra possui um caráter bastante original e que além do público académico, poderá também interessar a leitores leigos. Considero o título adequado e creio que a obra terá repercussão considerável nos meios académicos e científicos – sobretudo, no âmbito da literatura, da história e da antropologia.

El proyecto de investigación titulado “El des-encuentro de dos mundos. Género y complementariedad en los Andes” reúne artículos en que son divulgados los resultados de las investigaciones desarrolladas entre 2011 y 2013 por Simone Accorsi, miembro del Grupo de Investigación Género, Literatura y Discurso de la Escuela de Estudios Literarios de la Facultad de Humanidades de la Universidad del Valle.

El primero, titulado “Los Cuatro Cantos del Mundo”, propone un análisis muy interesante y bien fundamentado sobre el trastorno provocado por la pérdida del líder Atahualpa (1533) expresado en el poema anónimo Apu Inka Atawallpaman.

El segundo artículo, “El metalenguaje de la conquista: la retória cristiana y la mutilación de la voz indígena”, trata de las consecuencias trágicas y caóticas de la muerte de Atahualpa en el mundo inca, subyugado por los españoles, a partir de un análisis cuidadoso y consistente de la Ynstrución de Titu Cussi Yupanqui (1570), de la Primer Nueva Coronica y Buen Gobierno de Felipe Guamán Poma de Ayala (1615) y de los Comentarios Reales de los Incas de Garcilaso de la Vega (1609 y 1617). Son abordados aspectos fundamentales del impacto provocado por la pérdida del líder y, sobre todo, por el proceso de aculturación consecuente de la dominación española sobre la sociedad quechua.

En “La cabeza de Inkarrí: mito y profecía en los Andes”, la autora cuestiona la forma en que ese “des-encuentro” cultural, basado en un proyecto ambivalente deculturador-aculturador español-cristiano, incidió en la cosmovisión mítica original andina, de manera que surgieron formas lógicas de pensamiento a partir de ese momento; y de qué manera éstas se inscribieron en el imaginario colectivo popular como una forma de resistencia cultural.

Finalmente, el artículo titulado “Viejos pueblos: memoria viva” se refiere al cotidiano de los habitantes del Tawantinsuyo –designación propia de los incas– y a las fiestas en que son contadas las historias de la conquista de aquel territorio por los españoles.

Se trata, por lo tanto, de un conjunto de análisis proficuos sobre momentos importantes de los profundos impactos del proceso de la conquista española en el mundo inca. Resáltese, en primer lugar, la utilización de registros literarios como fundamentos de los referidos análisis. Los apartados revelan una articulación entre las temáticas y las problemáticas abordadas, y consistencia en la utilización de referencias teóricas y metodológicas adecuadas.

El contenido y las problemáticas abordadas poseen gran relevancia en el ámbito del campo de la historia cultural y de las relaciones entre historia y literatura. Así, la autora revela un dominio solido de la producción bibliográfica especializada y actualizada sobre las temáticas trabajadas. Con un lenguaje claro, la obra posee un carácter bastante original que, más allá del público académico, podrá también interesar a lectores legos. Considero el título adecuado y creo que la obra tendrá repercusión considerable en los medios académicos y científicos, sobre todo en el ámbito de la literatura, la historia y la antropología.

LOS CUATRO CANTOS DEL MUNDO

Cuando la humanidad se interesó por otra cosa másallá de lo observable y lo mensurable, se apartó delas demás especies animales y comenzó su verdaderahumanización en el sentido concreto del término.Fernand Schward (1988).

Los fenómenos religiosos, tanto en el campo de las creencias como en el de sus expresiones externas, rituales o de culto, son una realidad viva que se modifica en su interrelación con la política, la economía, las formas organizacionales de la sociedad, los cambios ecológicos y todos los elementos relacionados con la cultura.

Sobre ello existe un amplio acuerdo pues nadie niega hoy, al menos en el campo de la etnohistoria social, “la extraordinaria importancia de las creencias y prácticas éticas religiosas, tanto en lo que se refiere al mantenimiento como a la transformación radical de las estructuras humanas psíquicas y sociales” (Turner,1988:16). Las discrepancias de opinión, en todo caso, nacen en relación con el grado y mecanismo en que esa mutua relación se da.

Evans-Pritchard, el gran antropólogo inglés, recomienda en su obra Teorías de la Religión Primitiva (1965) que para abordar el estudio de la religión es necesario partir del contexto social y cultural donde surge y se desarrolla; debemos dar cuenta de los hechos religiosos en términos de la totalidad de la cultura y la sociedad en que se hallan, intentando comprenderlos como hecho total.

Este camino ya se ha iniciado y, al parecer, estamos en disposición, a partir de las herramientas conceptuales que nos han sido legadas por los etnohistoriadores contemporáneos, de hacer inteligibles muchos de los fenómenos crípticos de la religión en las llamadas “religiones primitivas”. Muchísimo han aportado, por ejemplo, los estudios sobre el milenarismo o mesianismo: los términos que originalmente designaban la creencia en el milenio (que para el cristianismo de los primeros siglos era el periodo de mil años durante el cual Cristo reencarnado volvería y reinaría en este mundo) abarcan hoy por hoy toda serie de fenómenos que rebasan los límites de la tradición judeo-cristiana.

En un congreso celebrado en la Universidad de Chicago en 1960 fueron propuestas cuatro posibles soluciones para el fenómeno del milenarismo en la actualidad. La más popular es la teoría de privación según la cual el milenarismo surge como un síntoma de la opresión socioeconómica y de la desarticulación sociocultural. La segunda hipótesis alega que es una proyección psicológica, una tendencia humana a sufrir de ansiedad, independientemente de causas objetivas. Una tercera teoría sostiene que el fenómeno es una poderosa atracción estética que siente el hombre por sus imágenes simbólicas. La cuarta lo plantea como una expresión de las tendencias al enfrentamiento que existe entre los que ocupan puestos de liderazgo religioso e intelectual y sus supuestos rivales. De cualquier modo, todas las hipótesis expresan un latente anhelo humano por la salvación del sufrimiento, a través del resurgimiento de un líder o “elegido” que será el portador de la nueva salvación colectiva y el anuncio de un tiempo de bienaventuranza.

Esas hipótesis, sin embargo, no respondían completamente a las inquietudes que teníamos en relación al objeto de nuestro estudio. Los indígenas de América que sufrieron el impacto desastroso y sangriento de la conquista española desarrollaron un proceso de fuerte resistencia basado principalmente en una cosmovisión propia donde la realidad material, el espacio físico representado por la naturaleza y la creencia en una mitología pujante fueron los cimentos de supervivencia a través de un proceso de larga duración.

El marco cero de este trabajo fue el encuentro con el poema Apu Inca Atawallpaman. Las metáforas de esa elegía a la muerte de Atahualpa, el último Inca realmente soberano de su pueblo, estaban cargadas de símbolos que mezclaban la vida terrenal, el espacio físico y lo divino en una simbiosis indisoluble como si no hubiera, de hecho, una separación entre esas dimensiones que, en las culturas occidentales, que llamamos “civilizadas”, son espacios completamente diferentes.

Llegar al “hecho total”, como lo recomienda Pritchard, implicó en primer lugar buscar en los cronistas de época las pistas que nos llevarían a la compresión de las estructuras socioculturales del pueblo Quechua-Aimara para, posteriormente, comprender el trauma de la conquista y los mecanismos de resistencia que surgieron en consecuencia. El examen de cerca de tres mil (o más) páginas de los cronistas y el necesario cruce con los estudios realizados por la reciente etnohistoriografía contemporánea nos llevaron a dividir la investigación en 4 capítulos. Lo que presentamos a continuación es la primera parte donde abordamos la toma de conciencia de lo sagrado por el hombre: la vida en el Tawantinsuyo como un espacio donde lo sagrado, lo profano y la naturaleza se confunden y donde hasta los muertos desempeñan un papel social activo en el espacio terrenal.

Mircea Eliade (1954) plantea que el mito recoge los acontecimientos del tiempo primordial como la única realidad trascendente; de ahí que su representación en el ritual y la fiesta es la recreación de la vida como la comprende un pueblo.

A lo largo de lo que llamamos la América Hispánica, principalmente lo que fue el antiguo Incario (desde el norte de Argentina hasta el sur de Colombia) encontramos aún hoy la celebración de fiestas que bajo la “capa” protectora del calendario cristiano plasman en sus prácticas y representaciones el rostro indígena de América.