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Um livro que induz a profundas investigações no campo da Consciência, onde se procura langar luz no movimento obscuro do cérebro, e surgiram temas que desafiam; como Beleza, Tempo-espaço, Percegão em Totalidade, Sentir fragmentado eto....
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Seitenzahl: 116
Veröffentlichungsjahr: 2023
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Olhando a história que se é
Lácio Santamaro
isbn: 978-84-19925-18-3
1ª edição, junho de 2023.
Editorial Autografía
Calle de las Camèlies 109, 08024 Barcelona
www.autografia.es
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução deste livro
para fins comerciais sem a permissão dos autores
e da Autografía Editorial.
Nota introdutória
…caro leitor(a) este livro em prosa que tens nas tuas mãos,
foi escrito como testemunho de uma vivência sensível,
que agora se põe a descoberto pela palavra escrita,
e que,
se de algum modo servir a um outro inquieto,
desta grande Humanidade que se é,
terá valido a pena.
É como um grito que ilumina na escuridão do individual que somos,
e no dar-se conta que estamos prisioneiros,
na aridez da corrente sofredora do Tempo,
destinados a perder-nos no Nada.
Por isso abeira-te dele com generosidade no coração,
de modo que, com lucidez, o ponhas a teu juízo crítico.
O Autor
…no ordenamento implacável da corrente do tempo do calendário,
um dia mais estava a decorrer,
e ali estava alguém,
que vira já um certo número de décadas a ficarem para trás.
E o que se pode dizer dos sentimentos de toda uma vida?
Só é possível comungar com eles em termos de síntese,
onde entra a compreensão instantânea,
de que se vive num mundo indivisível,
e que cada qual é o artífice da criação que se é no ato da relação.
…esse alguém sentia a vida intensamente finita impregnada de infinito,
e segundo a inclinação existencial do momento,
com ele estava ou não a nostalgia da dor.
O seu olhar emotivo,
podia mostrar qualidades variáveis impregnadas de lucidez,
pois dedicara todo o seu viver,
na busca de compreensão de si próprio na relação com o Mundo de Fora.
…tinha tido sempre um temperamento idealista,
sacrificara o perseguir uma boa situação económica e social,
em favor do conhecimento próprio,
e do bom que isso representaria,
se outros também aderissem a esse propósito,
e muito trabalhou para isso.
E agora de olhar cansado,
que sabe do cansaço,
o que pode dizer de tudo aquilo?
Doloridos percalços de incompreensão e definitivo abandono,
tudo ficou reduzido a cinza.
…e hoje, o que segura nas suas mãos?
Apenas o instante do viver no discernimento das bases da corrente humana,
perdida no tempo da História,
estremecida pela dor na incessante busca da satisfação e segurança,
perseguindo um futuro incerto,
prisioneira de um passado de ilusão e obscuridade.
… e olhando o mundo recorda algo que leu há muito tempo,
em que um sábio da china milenar,
regressara a casa após longo tempo de ausência,
e conhecidos vizinhos perguntavam a familiares seus de onde tinha vindo,
ao que eles responderam,
veio até nós desde o “Vazio”.
E nesse olhar,
onde o passado e o futuro se anulam,
para ficar o instante supremo,
apenas fica “aquilo que é”,
a perceção temporal de um presente criativo de liberdade.
um senso de “Vazio”,
conduzido por uma dimensão de eternidade.
…e essa história que sua é,
mas que pode ser tua;
tu que lês e de todo aquele que quiser escutar,
com mente e coração vibrando em uníssono,
encontrará um mundo de Bondade,
que não pode ser tocado pelos opostos atribulados,
do dolorido mundo do Pensamento.
…e instantes há, de atenção lúcida,
em que se dá conta da história própria a ser desenhada,
no Presente-sem-tempo.
E em movimento de lucidez cerebral na perceção das coisas,
percebe o sentido de urgência, disso que se chama “Vazio”.
lácio santamaro
— …era um dia que aparentemente,
como tantos outros,
transcorridos em acumulação,
por décadas e décadas.
Era agradável sentir em timbres de intensidade,
a exuberância do verde,
espargido em vários verdes harmoniosos,
querendo espelhar a sua cor,
nas águas cantantes daquele rio,
que parecia querer sobressair ante a visão circundante.
Sentia-se frescura na limpidez desse dia,
e uma secreta aspiração de comunhão,
numa perceção de totalidade de ser também se fazia sentir.
— …ali estava ele,
aquele alguém que nascera uns poucos anos,
depois de ter terminado o segundo grande conflito,
que encheu o mundo de dor,
mas agora passada tal tristeza,
o acontecer permitiu o aparecimento de um pensar mais confiante e inovador.
— …iniciava-se a década dos anos cinquenta,
em pleno século vinte e nos arredores de uma pequena cidade,
Carregal Flores fazia a sua aparição,
num Mundo que lhe haveria de ferir o coração,
como parece ter acontecido de forma trágica com todos ante o decorrer,
da evolução histórica do tempo humano,
e a sua espantosa condição.
— …e naquela história que a sua vida veio a ser,
percebeu que a Humanidade era um livro que valia a pena ser lido,
e que esse livro era ele mesmo,
a própria história que ela é.
— …numa investigação às questões humanas se dedicou,
e através de impulsos escondidos de si próprio,
aprimorou a sua sensibilidade emotiva,
e pode agora testemunhar que num ousar atrevido,
de cândido e transparente olhar uma outra Dimensão-sem- tempo é vista.
— …que personagem és tu Carregal Flores,
que ousas ir o mais longe possível,
nesse doloroso e aguçado caminho da sensibilidade percetiva,
rumo à imensa interioridade que se é?
— …como te atreves a desbravar o obscuro e rígido movimento,
onde estão guardadas todas as memórias?
Apercebes-te que precisas de estar imbuído de imensa energia,
para romper esse horizonte espacial de Tempo,
que se quer mostrar como impossível de decifrar?
— …é claro que sim,
tu sabes porque o vives,
e olhas e sentes nesse esquadrinhar de observação silenciosa,
que esse espaço de ti próprio,
onde impera uma profunda e obscura densidade,
é provido de uma ilusória permanência,
que lhe outorga um estranho sentido de abandono e indiferença,
um tranquilo cansaço,
nada lhe parecendo importar,
por carecer de valor imediato e muito particular.
— …hoje tu já sabes que há memórias guardadas,
no profundo horizonte neurológico do cérebro.
Já te apercebeste que em larga escala em ti está toda a história racial,
a da nacionalidade que passaste a pertencer,
logo que apareceste na existência,
e a tua mesmíssima história dos teus tantos anos do viver.
— …até que ponto chegaste nesse indagar de Tempo-atrás?
Que recordas tu num lampejo olhar,
onde nem é preciso que o pensamento intervenha a esquadrinhar?
— …ah! Carregal Flores,
tu que sentes que a Vida é um estado de ser,
que a Vida é o que está a acontecer.
— …muitas vezes te dás conta que isso que se chama Vida,
pode ser percebida como um “Instante sem tempo”,
único,
absoluto e que por isso para ti,
surge como um desatino dar-lhe qualquer significado,
procurar-lhe dar motivos causais,
pois sentes que nesse tipo de atitude,
encontras dolorosamente muitos ais.
…e viste que a Vida pode ser percebida,
como um movimento de tão ténue e poderosa fragrância,
que o Pensamento se detém,
e aquela coisa que se chama “Verdade” mostra-se,
nesse olhar sumamente próprio,
incomunicável e, contudo, possível de ser comungada.
— …e por conseguinte sentido é o Tempo,
como algo rígido guardado como memória,
que aparece na Mente consciente e toma conta do Presente,
e o obscurece.
±±± ±±± ±±±
— …está uma noite um pouco fria,
é fim de Primavera e chove suavemente.
À luz dos candeeiros acesos,
a chuva vai caindo em forma oblíqua,
devido à brisa que vem do lado norte.
Tudo está silencioso neste lugar,
as pessoas estão recolhidas nas suas casas,
e não há vivalma nas ruas;
paira um sentimento de tranquilidade e bem-estar.
Ao longe brilham as luzes,
espalhadas no ambiente da povoação,
que dão um toque peculiar,
de presença humana em sossego.
— …quem és tu, Carregal Fores?
Tu que sentes que gostarias de viver num estado de ser,
que te parece ser o viver das árvores.
— …sentes com peculiar intensidade a dor do viver aos pedacinhos,
que se seguem um após outro,
numa continuidade de Tempo sem fim.
— …e vives ainda os teus dias amarrado numa qualidade temporal,
em que a dualidade de ser,
impera com fervor no movimento da vida que percebes,
a qual foi aceite e considerada normal,
no processo de evolução a que o cérebro foi sujeito,
e sofres por isso porque sabes que tal condição pode ser superada,
que esse movimento de Tempo criado no teu cérebro pode ser rompido.
— …e olhas as grandes árvores que te atraem com especial agudeza,
sentes com peculiar intensidade e vivamente,
a sua potência como um todo,
percebes que aí existe inteireza,
um sentido de Totalidade percebes uma imensidão,
que toca nas raízes mais profundas do ser que és.
— …há em ti um dar-se conta que cada coisa,
cada ser reflete-se como síntese suprema de campos de força interativos,
em expressão temporária num fluir de Eternidade.
— …apercebes-te que como Ente humano,
vives num movimento de Tempo acumulado,
que a vida particular é uma história que se move,
para tornar-se pesada e cansada num ilusório perseguir vitórias,
mas que normalmente na intimidade sensível,
o que realmente impera é um senso de esvaziamento e de derrota,
em que no mundo subterrâneo da psique se luta para ignorá-lo.
— …e também te dás conta que em meio do nervosismo caótico,
do movimento neurológico,
emerge um discernimento apaziguador e bondoso,
que mostra o fluir da vida num sentido de Totalidade,
imenso,
onde vitórias e derrotas comungam do mesmo valor,
e o viver é uma aprendizagem do Instante.
— …sentes vivamente a urgência de uma disponibilidade,
para esse aprender criativo do Presente,
um sentido de adaptação ao que seja necessário,
de modo que a ação esteja num movimento de fluidez,
sem a carga das cicatrizes que ficaram perdidas no Tempo.
— …e toma para ti todo o sentido e uma evidência palpitante,
que o desgaste provocado pela agitação nervosa,
acompanhado por fundo de angústia,
abre um corredor sombrio para o toque de uma morte prematura.
— …Carregal Flores, com que intensidade sentes,
que tudo o que te é dado a perceber começa e termina em ti próprio.
— …há em ti um senso íntimo de presença desapaixonado,
uma frescura mental,
que ultrapassa qualquer possibilidade de descrição,
percebes que tudo carece de importância,
porque uma Energia sem limites entrou em contacto com os neurónios,
essas células nervosas cerebrais,
que detêm em arquivo a informação,
e permite que se detenha,
o impulso compulsivo da piedade por ti próprio,
e sentimentos piedosos por outrem;
estás ante a presença de uma força poderosa,
onde compaixão sentimental e egoísmo não tem cabimento.
±±± ±±± ±±±
— …é uma noite onde já cessara,
o ruído da azáfama humana;
há silêncio abençoado,
apenas se escuta o coaxar das rãs,
e da corrente do açude daquele rio,
que como todos os outros,
corre sem parar na onda do tempo.
Há nuvens no céu,
em intervalos de cinzento e azul-escuro,
e podem ver-se,
algumas estrelas aqui e ali,
que brilham cintilantes.
Do outro lado da casa,
o meio ambiente difere totalmente,
há a normal iluminação,
de uma pequena avenida citadina,
e a essa hora da noite só de longe a longe,
circula algum automóvel,
conduzido para um qualquer destino.
De frente ao apartamento,
há uma outra fileira de construção urbana,
onde ainda se podem ver,
algumas janelas iluminadas,
e o movimento sombreado,
de presença humana,
em pequenos quefazeres domésticos.
…vês nitidamente e com nostalgia,
que se nasce e se existe,
num mundo que já foi feito por quem veio atrás,
e que se é induzido de modo impiedoso a seguir-lhe a corrente,
como cultura tradicional fortalecendo assim o seu curso,
rumo a um destino cheio de incerteza e inseguro,
banhado por contradições e conflitos.
— …mas há em ti um discernimento ativo de inquietude íntima,
que faz com que lhe questiones fervorosamente os seus valores;
percebes as suas bases falsas fatídicas,
e as negas totalmente e fazes surgir por instantes,
aquela Inteligência criativa que permite um novo acontecer.
— …tu que sentes um carinho inexplicável por essas criaturas,
tão esplendorosamente verdes que se erguem para as alturas,
e que se chamam árvores.
— …tu que a senti-las bem pertinho na tua intimidade;
que aprecias e contemplas com espanto,
toda a sua estrutura formal de ramos e folhas,
e que bondosamente te oferecem proteção nos abrasadores Estios,
que se mostram tão belamente desnudas,
plenas de potência adormecida,
nos rigorosos invernos e que te inculcam sentimentos,
apontando para profundos percebimentos.
— …que estranha personagem sentes que te estás a tornar Carregal Flores;
começas a sentir que o mundo já não é para ti,
caminhas por entre a gente, como um pária,
não te reconheces no fervor dos ideais,
e dos anseios mundanos que hipnotizam as massas.
— …vês com estupefação,
estes tempos de extraordinários avanços tecnológicos,
percebeste que existes num mundo de avanços digitais que arrepia,
e que dá dó que esteja de mãos dadas,
com uma vulgaridade discursiva que enoja,
que angustia e que faz exigir a uma Mente de refinada sensibilidade,
que investigue nas causas de tão complexa sociedade,
onde impera o temor,
o tormento;
a troca da liberdade pela segurança,
e em que o sentido de beleza está confinado,
aos modelos mentais impostos em propaganda,
pela respeitada autoridade social;
sentes que há em movimento uma enlouquecida consciência,
que atinge a todos disfarçada de razoabilidade e de progresso moral.
— …olhas para o modelo como decorre,
o fluir da corrente humana;
reparas e estremeces,
com que rapidez a desagradável exuberância,
da fragmentação psicológica nos atingiu e quer continuar a atingir a todos.
— …uns e cada vez mais abundantes tornam-se os ídolos,
de um enlouquecido exibir dessa decadência,
e os outros como maioria passiva,
a ela submetidos numa aceitação fatalista;
mas também há em ti um sentimento,
que abre portas a um Mundo,
onde não entra a corrente da voragem do Tempo.
±±± ±±± ±±±
— …era o cair da noite,
o azul-celeste estava tornando-se cor de cinza,
no ar sentia-se,
um não– sei-quê de solidão que não cansava,
porque não provinha da atividade do pensamento.
Respirava-se frescura,
mas contrastando com esse toque de magia,
chegava aos ouvidos,
cantigas aldeãs de tempos idos,
um repertório sempre repetido,
que como perdido,
ecoa em tempos modernos,
e que tinha de ser integrado num senso,
de grande sensibilidade percetiva,
onde tudo se move em uníssono como Ordem total.
É espantoso,
ter um percebimento instantâneo,
de como a acumulação do passado torna bem pequena,
a capacidade verdadeiramente inovadora,
das células cerebrais,
de como o pensar humano se recria,
numa ordem de desdém insubmisso,
contra o sentido,
de uma ordem universal de beleza e bondade,
que transcende os estreitos limites do saber conhecido.
O facilmente manipulável pelo entendimento,
jamais poderá conectar-se,
com o desconhecido intemporal.
E a noite ficou silenciosa em cor escura;
e lá muito,
muito em cima nos espaços infinitos brilham estrelas.
— …e quando tranquilamente os teus olhos e ouvidos sensíveis,
se abrem com timbre de espanto,
às coisas que te rodeiam,
quando contemplas o pouco da natureza agreste,
que ainda consegue sobreviver ao implacável,
e insuportável domínio da mão humana,
ainda assim consegues dar voz àquela sensibilidade que em ti,
parece sucumbir de tristeza.
— …então agudizando o percebimento,
consegues ver conjuntamente com a brisa aprazível,
e a brilhante luminosidade solar,
banhando a dança dos pés de trigo e de cevada já amadurecidos,
