Pensei em desistir, até te conhecer - João Monteiro - E-Book

Pensei em desistir, até te conhecer E-Book

João Monteiro

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Beschreibung

Este livro narra o desenlace de um escritor que têm como premissa dois objetivos: o da escrita e o do amor. Enquanto empreende nesta intenção como se de um propósito se tratasse, com a vontade que se lhe exige, as circunstâncias oferecem-lhe um notável e persistente impasse. Na companhia das suas dúvidas, medos e com a consciência de que o tempo escasseia, subsiste refugiando-se nos seus pensamentos e na escrita do seu manuscrito. Um verdadeiro relato de amor, com becos sem saída, uma luz ao fundo do túnel e uma rota improvável que mudara todo o percurso da jovem personalidade.

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Seitenzahl: 172

Veröffentlichungsjahr: 2024

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Pensei em desistir, até te conhecer

João Monteiro

ISBN: 978-84-10347-85-4

1ª edición, mayo de 2024.

Conversión a formato ePub: Lucia Quaresma

Editorial Autografía

Calle de las Camèlies 109, 08024 Barcelona

www.autografia.es

Reservados todos los derechos.

Está prohibida la reproducción de este libro con fines comerciales sin el permiso de los autores y de la Editorial Autografía.

Parte 1

A vida é sobre coragem!

Ou ganhamos coragem para ir atrás do que queremos, ou seremos bem corajosos a fazer o que não gostamos para o resto da vida!

1

Pensei em desistir. Até quando é que deixamos de sonhar e começamos a desistir? O caminho obscuro da incerteza traz consigo uma angústia de não saber quem sou ou o que vou fazer. A rima deixou de fazer sentido e as palavras sufocam-me. Parece que as sinto a subir para a minha garganta e a fazerem aqueles movimentos que me farão sufocar. As palavras sufocam, ou o conteúdo delas magoa? As palavras sufocam, ou a angústia de não sair do mesmo sítio, que provoca um dilúvio severo, é que sufoca? A escrita é tão boa, mas em excesso faz-me mal. Faz-me mal porque me sinto mal, fora de mim, em dissociação. Tanta mágoa em não ser puxado pela escrita. Eu não me conseguir puxar pela escrita.

As palavras podem ser o meu refúgio, como a minha solidão, a minha alegria, como a minha tristeza. Os sentimentos expressos são gratificantes, mas depois deles, não existe mais nada. É como se houvesse uma masturbação mental, mas depois disso... nada sinto. Ou não me sinto. Amanhã volto a tentar escrever mais um pouco. Tenho de começar a aprender a descansar e não a desistir.

Hoje já me sinto mais motivado. Ou talvez mais entusiasmado. Durante a noite surgiram-me algumas ideias, peguei no meu caderno, anotei-as, para hoje, mesmo, começar a dar voz a algumas delas. Hoje quero dar voz ao luto. Ao sofrimento, ao vazio e ao distanciamento de quem afirmou, em tempos, que nunca se afastaria. As palavras estão revestidas de dor, de mágoa e também de ressentimentos. Pelo menos, ao escrevê-las, senti isso. No entanto, a escrita delas traz-me uma certa leveza. Já que as larguei e deixei-as no papel, elas não passam mais a ser minhas. E na realidade, nunca foram. A dor e todos aqueles sentimentos desagradáveis passaram, agora, para o papel. Nestes casos, preferia sempre que este material inanimado se tornasse na personagem principal desta dor.

Espero que os meus futuros leitores possam reconhecer o poder do desapego nestas palavras e, que consigam perdoar (a si e aos outros), para que possam sentir e ser mais, para quem um dia se encontrar na mesma rota, com as mesmas intenções e sincronicidades.

Talvez um dia consiga tornar-me um escritor. Ou talvez, já o seja. Mas não um escritor qualquer. Um escritor que usa as palavras como ferramenta, com o intuito de ser o maior guia turístico da vida. Da minha ou da vossa, tanto faz. Se iluminar a vida dos meus leitores com as palavras, a minha iluminar-se-á. Mesmo na escuridão verei a luz ao fundo de cada obstáculo. De cada obstáculo e depois de cada visualização que faço a criar tudo aquilo quero, realmente, fazer. Que bom é sonhar e imaginar tudo aquilo que quero criar. Imaginar as sensações, os cheiros, os momentos, cada pequeno pormenor. Tudo. Falta sonhar, falta ir contra aquilo que vai contra o nosso sonho.

2

Acordo e um pouco mais desperto, ainda com os olhos (e o coração) meio sonolentos, releio de novo cada palavra escrita no dia anterior. Por momentos, aquelas palavras que se escrevem e desenham em forma de sonhos, trouxeram consigo algum alento. A força destas palavras inspira-me a deixar-me levar por aquilo que quero, e continuar a seguir em frente. Em cima da mesa, em palavras a lápis e ainda com algumas marcas das lágrimas da última noite, lê-se:

Sobre sonhos. É aquilo que faz a nossa existência mais rica. Somos pequenos e vulneráveis comparados com o Universo, no entanto, temos a capacidade de sonhar. Ah! como sonhar faz bem! Um dia ouvi um chefe de cozinha dizer que cozinhar era a sua grande paixão. Ainda referiu que não estava a trabalhar, estava a divertir-se. Já viram o incrível desta cena? E uma professora que se recusou a desistir, quando no início não conseguiu entrar no doutoramento. É só incrível! Aquele boost de energia extraordinária! Imaginem agora o ato de reprimir sonhos porque é necessário pagar contas! Cada vez que nos entregamos a algo que nos apaixona, direcionados a nossa energia para onde ela deve ser gasta. Vamos morrer? Sim, mas é diferente. Vai ser difícil? Sim, mas vale todo o esforço. Querem sair do chão? Da normalidade? Sentir maior entusiasmo? Sonhem, sonhem muito, sonhem pá! Caraças! Talvez isso vos faça refletir do quanto estão a desperdiçar a vida e o quanto podem mudar! E eu não a quero desperdiçar, não, não quero sentir que o fim chegou. Sim, a cada nova respiração deve vir um novo sonho. Pelo contrário, nunca estaremos a viver realmente

Eu procuro então alastrar toda a minha energia para o meu fiel sonho. Tenho dois até. Um é sobre a escrita e o outro é sobre o amor. Eu sei o que estão a pensar, aquele fiel dito cujo, que é capaz de nos colocar nos píncaros, como no lado mais obscuro da nossa existência. Aquele local onde por mais que te vejas, não te reconheces. Mas eu procuro sempre um amor, ou um próximo amor. Só assim fará sentido existir. Com um amor a partir, é preciso um outro para ficar. Um outro amor que não sirva para substituir o amor passado, mas para ser um complemento. Uma brisa fresca aos restos emocionais que estão do lado de dentro de quem teve a coragem de tentar a sorte no amor. Ou tentar a sorte em todas aquelas necessidades afetivas que o verdadeiro amor deve conter, vocês sabem... validação, reciprocidade, afetos, reconhecimento... Nem sempre dá certo. Eu tive essa coragem, por isso, agora, tenho de acarretar com as consequências de quem amou bastante e não foi verdadeiramente amado.

Todavia, na escrita a conversa é outra. Sou deveras feliz a escrever e, até já me testei e fui testado nas minhas incongruências daquilo que escrevo e daquilo que faço. Mas nisso, teremos tempo para discutir mais à frente. Hoje quero-vos apresentar também o meu escritório da escrita. Ou do amor. Escrevo sobretudo sobre o amor, aquele amor que deu, mas depois tirou. Que prometeu não abandonar, mas abandonou. Acho que escrevo sobretudo para mim, não acham? O meu antigo amor confirmará a quem realmente estou a escrever. Não interessa. Pretendo passar uma mensagem. Nunca se sabe quem precisará realmente de um empurrãozinho. O mundo seria melhor se todos nós dessemos um empurrãozinho ao amigo desanimado ou com medo, não seria? Ou até a nós próprios mesmos. Às vezes falta a coragem para ter mais coragem para seguir em frente.

3

Por falar em escrever coisas de amor ou devaneios filosóficos existenciais, ontem, li num livro (bom escritor também lê livros) algo muito interessante que me deixou a pensar. Foi algo como: “Enquanto dentro de ti, fores uma criança, terás êxito”.

Esta afirmação poderá suscitar dúvidas para alguns, mas para mim, revela, até, várias respostas das quais, muitas vezes, temos dificuldade em tomar decisões e agir. O que faz uma criança quando vê algo pela primeira vez? Vê-o com algum tipo de julgamento? O que faz uma criança quando está a aprender a andar e cai várias vezes? Desiste a pensar que nunca mais irá conseguir levantar-se? Não, a criança nos vários contextos, não desiste e vê o mundo com uma curiosidade gigante e cheia de perguntas, sobre algo que ainda está a aprender a conhecer. Desde quando é que deixamos de ser curiosos? Desde quando é que deixamos que as limitações dos outros, sejam, no futuro, as nossas próprias limitações? Desde quando é que deixamos de ser nós próprios? Desde quando é que começamos a abordar as situações pelo pior cenário e não por aquilo que ele realmente é? Desde quando é que deixamos de comunicar as nossas necessidades, como fazíamos quando nos tiravam aquele brinquedo ou um docinho?

Está na hora de também eu começar a acreditar mais cegamente nas minhas capacidades como acreditava quando era criança. Nem pensava, era sempre autoestrada. Sempre siga. Não havia medo e nada a temer. A ferida era sempre curada pelo carinho dos pais e também da menina de quem gostava. Como era belo. Como é belo. Acho que preciso de mudar de lentes, já agora. Ando a ver as coisas piores do que elas são. Parece que vejo com menos nitidez. Mas atenção, com um olho no burro e outro no cigano, não vá alguém querer-me roubar o que é meu por direito. De facto, tenho de ter muito cuidado com isso, pois no amor, todo o cuidado é pouco.

4

- Hoje sinto-me vazio!

- Vazio, de quê?

- Falta de amor!

O amor é tramado! Ou talvez os desgostos amorosos!

O Pedro apaixonou-se! Eram conversas leves, momentos bons e nada mais. O sofrimento, noutras situações, não o predispunham a voltar a querer apaixonar-se. Mas isso aconteceu sem que algo o fizesse prever. O sorriso dela era contagiante, a convicção no olhar dele não enganava. A pupila estava dilatada no olhar. O sentimento tinha-se afundado dentro do seu coração e o mal estava feito. Estava apaixonado e não era recíproco. Como podem acabar, assim, amizades tão boas quando aquilo que se sente, torna-se diferente?

O Pedro acordava sem forças e sem vontade de comer. Com tanto vazio e, mesmo assim, não conseguia comer. Se o vazio viesse da fome já teria, com certeza, solucionado o problema. Todavia, o vazio tinha como morada o coração e transportava uma angústia de quem tivesse perdido alguma parte do seu corpo. Estava incompleto. Sentia-se incompleto.

O amor é uma viagem onde podes ser feliz, mas também onde podes sair ferido. Mas não deixa de ser amor. Simplesmente não é correspondido. Se ao menos o Pedro compreendesse que a parte boa do desgosto era perceber que aquela não era a pessoa certa para ele. Que tamanho sofrimento só indicava que o caminho já não era mais aquele. Mas o Pedro gosta de perder tempo a apreciar quem nunca terá. É um visionário que só olha para o que não interessa. Esta é uma consequência do romantismo tóxico. Por mais que me rejeites, eu amo-te incondicionalmente. Que treta esta de ser incondicional. Nenhuma relação, nem mesmo a dos pais, deve acontecer de forma incondicional. Seria bonito, a toxicidade teria estrada livre para circular em horário de ponta. Poluiria o ambiente e não seria saudável.

Até que um dia, o Pedro se lembrou que até ele já rejeitou. Mesmo no seu momento de deceção entendeu que até ele, tinha cometido tal infração. E tomou consciência que o comportamento vinha dele e, não, era nada relacionado com a pessoa rejeitada. Foi só fazer o inverso. Os sentimentos da falta de reciprocidade eram agora da outra pessoa. Nada tinha a ver com o seu valor!

- Estás diferente!

- Eu sei!

- Quais as razões para essa mudança?

- O vazio precisa de espaço para se preencher!

Agora é tudo uma questão de tempo! Tempo para curar, para amar!

Esse Pedro, no meu manuscrito guardado no computador para o livro, até parece revelar algumas coisas sobre mim. Mal não está, porque no fundo eu escrevo para os outros. É uma loucura, não é? Sonhar em excesso sempre me levou para estes palcos. Para os palcos da falta de amor-próprio, onde a própria pessoa comandava os meus destinos emocionais e comportamentais. Sonhava imenso, imaginava cenários estapafúrdios, que ia dar aquele primeiro beijo, que o facto de amar tanto alguém ia fazer a pessoa passar amar-me também. Que o poema que demorei a escrever, com toda a minha energia e disposição, iria surtir o efeito desejado. Que humilhar-me com uma declaração à frente de toda a gente iria dar resultado. Não vos quero assustar, o amor é bem possível, mas não sempre. Nem sempre vamos ser amados. Nem sempre... vocês sabem, vamos ser aceites por sermos quem somos. Aquela ideia de romantismo para pessoas com cabelos loiros, olhos azuis, tudo perfeito, vida perfeita, sabem? Não existe, mas condiciona aquilo que eu sinto, que tu sentes.

5

- Posso aparecer amanhã?

- Claro, só numa condição.

- Qual?

- Queres mesmo ir?

- Claro!

Dizem que quem aparece porque, efetivamente, quer, é sempre bem-vindo, certo? A Maria apareceu, não num local qualquer, mas na minha vida também nessa condição. Quando é assim dizem que vale a pena, não acham?

A motivação começou pouco a pouco a aumentar à medida que ia conhecendo cada feição improvável daquela belíssima mulher. Nada fazia prever que ela aceitasse o pedido para ir tomar um cafezito comigo. A cada vislumbre que tenho dela, sinto-me sempre na obrigação de escrever qualquer coisa. Pode ser simples, mas se me fizer recordá-la, tudo bem. Porquê complicar aquilo que está fácil? A vida é simples, nós é que a vemos como algo muito mais complexo.

Por vezes imagino um realçar da pupila em momentos de descontração, ou apenas através dos pequenos pormenores. Às vezes desconheço o quanto um próximo momento vai exigir de mim. Quando tenho a capacidade de olhar em retrospetiva para a minha vida, sinto que, embora tente sempre para melhor, o tempo esfuma-se, por completo. Cada dia passa sempre mais rápido que o outro, como se inadvertidamente, me quisesse dizer algo. Numa perspetiva mais espiritual, aquilo que se acredita é que o nosso corpo, para além de ser a nossa ferramenta para a vida, é um instrumento que nos ensina acerca de como estamos. Consoante os sinais do nosso templo, podemos compreender se necessitamos de mudar algo ou não. Neste campo, prefiro acreditar que a chegada da Maria é também um sinal que não se pode nunca ignorar. As minhas paranoias amorosas, continuadamente, ativam-se a qualquer mero sinal de que algo pode correr bem. É como se uma parte do meu cérebro se ativasse neste tipo de contextos, o que não facilita o raciocínio e, muito sinceramente, é algo a que deveria prestar mais atenção. Cada passada em direção a um amor, deve ser realizada sobre escuta, para que não me desequilibre e desabe sobre alguma mina, ou assim. As minhas experiências têm-me ensinado que os relacionamentos podem ser autênticos campos minados, onde após uma queda, podes nunca mais te conseguir equilibrar. Eu sei que estou a comunicar através de recursos estilísticos, contudo, um tema como os relacionamentos e/ou consequentes expetativas sobre os mesmos, necessita, por vezes, desta abordagem a fim de levar esta cena (que é importante) de forma humorística e mais descontraída.

Interrompo este fio de pensamentos permanente. Algo também a ter em consideração. Tenho de me preparar para tamanho desafio, como o vou fazer? Já sei, recorto cada parte menos boa minha e não levo para o encontro. Não, não posso fazer isso. Não existe logística suficiente para isso. Tenho de aceitar ambas as partes, não tenho hipótese. As boas e as más, as quase perfeitas e as imperfeitas, a solitude e a solidão. Prontos, vocês compreendem. Não preciso de andar aqui a gesticular demasiado sobre aquilo que só se sabe quando se anda nestas andanças. Tentar separar as partes boas e menos boas é como tentar partir cada bocado das nossas experiências, e achar que elas são separadas. Na realidade, são um todo que forma tudo aquilo que sou hoje, e que me fez acreditar que ainda é possível amar e ser amado. Por isso, vou aceitar isto (por enquanto) e vou para o cafezito com todas as perfeições imperfeitas que conheço de mim. Não consigo levar algo que não conheço, não é?

Ainda falta 1 dia e já estou que nem posso. Nervoso como tudo. Aproveito o tempo que tenho e vou escrevendo mais algumas coisas. Pode ser que arranje uma inspiração através da escrita. Vou tentar mandar aquelas mensagens inspiradoras, logo no início, para ver se lá me consigo desenrascar melhor, e parecer... vocês sabem, mais intelectual. Dizem que isso ajuda nestes momentos, sabiam? Mas quero, contudo, escrever algo para mim, pouco rebelde e muito profundo. Sem limitações de página ou de preconceito.

Sento-me na minha secretária da escrita (ou do amor), penso acerca daquilo que quero escrevinhar e, aqui vai:

Calma, o dever chama, não te apresses, aconchega-te, interiormente, dentro da minha respiração, para que a cada passo, eu respire contigo. Não te aflijas, o dever chama-nos, a mim para prosseguir e a ti para me ajudares a respirar. Prometo que será um respirar lento e calmo, não vá a monotonia da vida ou a agressividade da rotina tirar-nos o fôlego. Já imaginaste se ficássemos sem fôlego? Como seria viver sem respirar aquilo que nos desafia, intriga ou dá medo? O dever chama, não te assustes, prometo que quando acabar, volto para ti, olho-te nos olhos e digo o quanto te amo. Será que te amo de verdade? O que será isto do amor? O dever reclama pela minha presença, desculpa, tenho mesmo de ir, talvez me acomode à rotina ou talvez não, mas farei todos os esforços para não me perder. Todos os esforços para que, no final, te volte a ver, olhar-te nos olhos da mesma maneira de quem olha pela primeira vez e, sem demoras, dizer “amo-te”. Enquanto o dever me chama sinto-me a sufocar porque nem sei para quem estou a falar. Será que o conheço na medida certa para falar desta maneira? Para lhe pedir tal exigência? Não sei, mas a falta de respostas ajuda a procurar novas soluções, por isso, continua a respirar comigo, mas por favor, devagar e talvez um dia nos encontremos.

O dever chama, para que não me perca ao tentar perder-me com alguém. Também se for para me perder, que seja por alguém que valha a pena, não é? Perder, só em conjunto, por duplas, mais precisamente.

6

Chegou o grande dia. Aquele de que é suposto brilhar, sabem? Já tiveram dias assim, não já? Não me mintam. Eu sei que já passaram por dias assim, são bem difíceis. Podem ser bem-sucedidos, mas trazem consigo o suor do longo trabalho de preparação... para o café. Tanta coisa só para ir tomar um café? Não é só bem tomar um café, é estar emocional (esperemos nós) e fisicamente com alguém.

Logo que a vi na caixa de supermercado fiquei fascinado. Fui logo, imediatamente, falar com ela. Sabia que podia ser bem-sucedido. E fui, na realidade. Foi falar, expressar a minha gratidão por aquele momento, pedir-lhe o número e seguir com os meus afazeres (a vida de escritor não espera). Explorador como sou da imaginação, já me imagino a falar com ela, a olhar nos seus lindos olhos azuis, cabelo loiro, voz acutilante, livre. Com tanta presença a esquecer-me que lá fora existe muito mais problemas que tenho para resolver, mas é cá dentro que eles se resolvem na sua essência. Espero que ela me olhe, sorria, me namore com o seu olhar e que goste tanto de mim como eu gostarei dela.

Aliás, a vida não espera. Ela acontece e pronto. As oportunidades são para se sacar mais uma experiência e ficar a salivar por outra. A vida serve para isto, temos de fazer valer a pena. Bem, já estão cheios das minhas terapias morais, não já? Tenho um segredo: elas vão continuar e não vão acabar. Até porque preciso de inspiração para continuar a ter inspiração para perseguir o meu sonho. Os meus dois, claro. O sonho do amor... e da escrita, para aqueles mais distraídos que já se tenham esquecido.

Tínhamos combinado o encontro através das mensagens pelo WhatsApp (por agora, as mensagens surtiam efeito e as notificações andavam por estes dias ao rubro). As conversas eram boas, por vezes, picantes (culpa dela, não minha). Em tão pouco tempo e já tão comunicativa, tão historiadora da minha vida e sempre com disponibilidade para um bom humor. Humor daquele que faz rir e chorar (de alegria) ao mesmo tempo.

Eram 16:00 e já lá estava eu, no local marcado, à hora marcada. No café mais requintado e antigo da cidade do Porto. A ideia foi dela, não minha (para que conste). Todavia, não havia sinais dela. 10 minutos se passaram, 15, 20 minutos... e nada! O que se terá passado?

7

- Sabes o que é verdadeiramente triste?

- Não te amarem?

- Não, falharem contigo.